TRANSFORMAÇÃO DIGITAL III – COMPETIÇÃO

Como estamos vendo há duas semanas, transformação digital não é mais uma palavra da moda, é uma onda. Uma onda necessária. No último artigo tratamos do aspecto do cliente nesta onda. Vimos que o cliente não é mais o freguês e nem o rei na sua empresa. Ele é o fã e faz parte da sua tribo. Melhor dizendo, é sua empresa quem terá que fazer parte da tribo dele. É uma conexão simétrica.

Hoje vamos abordar o segundo domínio da estratégia na transformação digital: a competição.

O problema da escassez desde o século XVIII até o século XX foi a mola propulsora da economia até então. O século XXI inicia um período de transformação radical em que a tecnologia tem o potencial de elevar substancialmente os padrões de vida básicos da humanidade.

Há uma perspectiva de abundância para todos. Parece estranho, mas explico. O avanço de tecnologias transformacionais novas – sistemas computacionais, redes e sensores, inteligência artificial, robótica, biotecnologia, bioinformática, impressão tridimensional, nanotecnologia, interfaces homem-máquina e engenharia biomédica – logo permitirá que a vasta maioria da humanidade experimente aquilo a que apenas os mais abastados hoje têm acesso.

Existem três forças adicionais atuando, cada uma ampliada pelo poder de tecnologias em crescimento exponencial, cada uma com um grande potencial de produção de abundância.

Uma revolução é a do Faça-Você-Mesmo. A segunda força é o dinheiro – uma montanha de dinheiro – sendo gasto de uma forma bem específica. A revolução da alta tecnologia criou uma espécie inteiramente nova de tecnofilantropos ricos que estão usando suas fortunas para solucionar desafios globais relacionados à abundância. E finalmente, existem os mais pobres dentre os pobres, o bilhão mais carente, que estão enfim se plugando na economia global e tendem a se tornar “o bilhão ascendente”. Os mais pobres dentre os pobres numa força de mercado emergente.

Agindo de forma isolada, cada uma dessas três forças possui um enorme potencial. Mas atuando juntas, e com a amplificação das tecnologias em crescimento exponencial, o antes inimaginável se torna agora possível.

Uma definição de abundância significa proporcionar a todos uma vida de possibilidades. Ser capaz de viver uma tal vida requer ter as necessidades básicas satisfeitas e muito mais. Significa também estancar algumas sangrias absurdas. Abundância significa criar um mundo de possibilidades: um mundo onde os dias de todos sejam gastos com sonhos e realizações, não em luta pela sobrevivência.

Segundo o contexto da abundância, surge um novo modelo de negócio que muda os paradigmas da competição. Vamos a ele.

Plataforma é um modelo de negócio que em economia é conhecido por plataforma multilateral. É um negócio que cria valor, facilitando interações diretas de dois ou mais tipos diferentes de clientes.

Os negócios de plataformas são parte de uma transformação ampla do domínio da competição e dos relacionamentos entre empresas. Na era digital, as fronteiras entre os setores estão ficando nebulosas, assim como a distinção entre parceiros e concorrentes.

A revolução digital está turbinando o crescimento de negócios de plataforma. Este modelo de negócio acabou criando um neologismo usando a contração das palavras competição e colaboração: coopetição.  A tecnologia digital está aumentando a importância da “coopetição”, em que as empresas que competem diretamente em algumas arenas também atuam como parceiros em outras.

As plataformas representam uma mudança fundamental em como as empresas se relacionam umas com as outras – de modelos de negócios lineares para modelos de negócios mais em rede. Os negócios de plataforma constroem ecossistemas e induzem os clientes a interagir uns com os outros. O valor das plataformas cresce à medida que mais pessoas as utilizam.

Há três pontos-chave neste modelo de competição: a)tipos diferentes de clientes; b)interações diretas; c)facilitação. E os tipos mais comuns de plataforma são:

  • Marketplaces: esses tipos de plataforma reúnem dois grupos distintos de clientes para uma troca direta de valor, com cada grupo atraído pela quantidade e pela qualidade no outro lado.
  • Sistemas de transação: essas plataformas atuam como intermediários entre diferentes partes, para facilitar pagamentos e transações financeiras.
  • Mídia sustentada por anúncios: neste caso, a plataforma tipicamente desempenha o papel adicional de criar (ou obter) conteúdo atraente para os consumidores.
  • Padrões de  hardware/software: essas plataformas fornecem padrões uniformes para o projeto de produtos subsequentes, a fim de possibilitar sua interoperabilidade desses produtos e beneficiar o consumidor final.

A lista não é exclusiva podem surgir novos negócios de plataforma que não se encaixem muito bem nesses quatro tipos.

As tecnologias digitais estão turbinando o crescimento e o poder das plataformas multilaterais. São elas: web; computação em nuvem sob demanda; as interfaces de programas aplicativos, as API; as mídias sociais; e os dispositivos móveis de computação.

Para estas tecnologias digitais atingirem seus objetivos competitivos nas plataformas devem focar em quatro elementos-chave:

  • Aquisições fluídas (ou sem atrito)
  • Crescimento escalável
  • Acesso e velocidade sob demanda
  • Confiança

As plataformas multilaterais não mais pertencem ao domínio dos grandes empreendimentos; elas são a base de lançamento preferida de empreendimentos de risco de todos os tamanhos, desde grandes empresas inovadoras até os menores e mais ambiciosos empreendedores.

As plataformas organizam, padronizam e simplificam a participação.

As plataformas disponibilizam a capacidade excedente de três maneiras. Elas podem decompor (fatiar) ou agregar a capacidade excedente. Possibilitam a utilização mais eficiente por parte dos cocriadores. Podem, ainda, abrir a capacidade excedente para que os cocriadores criem ideias, processos, produtos e serviços totalmente novos.

Há duas ferramentas para construir o planejamento estratégico utilizando o conceito de plataformas: Mapa de Modelo de Negócios de Plataforma e Trem de Valor Competitivo. Assunto para outras séries de artigos.

O mais importante neste modelo de negócio é saber que a confiança é a palavra chave na economia de compartilhamento (plataforma).

Precisamos de uma plataforma para fazer a ponte entre a capacidade excedente de baixo custo (às vezes até gratuita) e os inovadores. Uma ponte para conectar sua tribo com outras tribos.

Para tanto, os dados são de extrema importância. Eles só têm utilidade uma vez que são aplicados. Este será o assunto do nosso próximo artigo.

Enquanto isso, pense na construção da sua ponte. A sua tribo anseia por ela.

Bibliografia:

David L. Rogers. Transformação digital: repensando o seu negócio para a era digital. São Paulo: Autêntica Business, 2018.

Peter H. Diamands; Steven Kotler. Abudância: o futuro é melhor do que você imagina. São Paulo: HSM Editora, 2012.

Robin Chase. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc. estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM Editora, 2015.

Prof. Me. Sergio Alexandre de Castro
Professor de Inteligência de Negócios no curso de Gestão da Tecnologia da Informação – FATEC JAHU
Gestor de Tecnologia da Informação – Mariotta Calçados.

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