TRANSFORMAÇÃO DIGITAL V – INOVAÇÃO

Estamos quase lá para concluir os nossos domínios estratégicos para a transformação digital. Hoje falaremos do penúltimo domínio: inovação.

Ser uma empresa inovadora é mais que um objetivo, em tempos de modernidade líquida, é essencial. Luís de Camões tem um soneto que começa da seguinte forma:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

E termina na última estrofe dizendo que neste mudar cotidiano há uma mudança que causa um espanto maior. Já não se muda mais como antes.

Parafraseando este soneto, no século XXI o processo de inovação não é mais o mesmo. O processo pelo qual as empresas desenvolvem, testam e lançam novas ideias no mercado. Tradicionalmente, a inovação focava unicamente no produto acabado. Testar ideias era relativamente difícil e caro, razão pela qual as decisões e as ideias preliminares se baseavam na análise, na intuição e na experiência dos gestores que participavam do projeto. O feedback efetivo do mercado tendia entrar muito tarde no processo (às vezes, depois do lançamento do produto ou serviço). Nessas condições, evitar o fracasso no mercado era preocupação predominante.

Na era digital, as empresas precisam inovar de maneira tradicionalmente diferente, por meio da experimentação rápida e do aprendizado contínuo. O foco não é o produto acabado. O processo agora centraliza as atenções na identificação do problema certo, e então, no desenvolvimento, teste e aprendizado, envolvendo múltiplas soluções possíveis.

Tem sucesso quem sabe fazer as perguntas certas, não quem alega ter as respostas certas. Como as tecnologias digitais tornam mais fácil e mais rápido testar ideias, essa nova abordagem à inovação é essencial para lançar novas ideias no mercado com mais rapidez e a menores custos, com menos riscos e maior aprendizado organizacional.

A experimentação pode ser definida como processo iterativo (repetitivo) de aprendizado do que funciona e não funciona. A abordagem do Design Thinking tem este aspecto muito forte. Experimentar é gerar conhecimento. O objetivo de um experimento de negócios é, na verdade, não um produto ou solução; é o aprendizado – o tipo de aprendizado sobre clientes, mercados e possíveis opções que o levarão às soluções certas.

Ao inovar por experimentação, você não tenta evitar ideias erradas; ao contrário, você procura testar tantas ideias promissoras quanto possível, com rapidez e baixo custo, para identificar as que serão eficazes. Essa abordagem exige uma mudança de paradigma, da inovação baseada em análise e expertise para a inovação baseada em ideação, ou concepção, e experimentação, para o aprendizado contínuo.

Todos os tipos de experimentos de negócios realmente têm um aspecto em comum: todos procuram aumentar o aprendizado, testando ideias e vendo o que funciona e não funciona.

O Design Thinking tem como ferramenta de experimentação o uso da prototipagem. Cabe aqui um artigo específico sobre o assunto. O protótipo é um meio barato, simples e rápido de fazer os experimentos. A seguir vamos apresentar sete princípios da experimentação:

  1. Aprenda cedo: O primeiro princípio é começar a experimentar desde o começo de sua iniciativa de inovação, para que você seja capaz de aprender tão cedo quanto possível durante o processo. Um dos princípios do Design Thinking é falhar mais o quanto antes.
  2. Seja rápido e iterativo: o segundo princípio da experimentação é velocidade. Aumentar a velocidade da experimentação para conseguir descobrir as falhas mais cedo para gerar aprendizado e chegar num resultado promissor em menor tempo com menores custos. Este princípio pode exigir infraestrutura.
  3. Apaixone-se pelo problema, não pela solução: Primeiro, essa paixão pelo problema o mantém focado no cliente e em suas necessidades. Ao forçar-se a compreender primeiro o problema do cliente, você assume uma atitude importante para garantir que o processo de inovação se concentre no valor para o cliente. Segundo, o foco no problema o estimula a considerar mais de uma possível solução. A terceira razão para apaixonar-se pelo problema é a consequência inevitável de engajar-se emocionalmente na busca de uma solução criativa.
  4. Receba feedback confiável: É fundamental reunir feedback confiável sobre suas ideias. Os feedbacks devem vir dos clientes reais ou potenciais – não de você próprio, de seus colegas ou dos seus chefes.
  5. Meça o que importa agora: É importante fazer medições em qualquer experimento. É necessário identificar a única métrica que importa.  Esta métrica mudará com o passar do tempo, à medida que avançar das primeiras fases de definição dos clientes para a fase de testes e, finalmente, para a geração de receita e ampliação de negócios. Embora seja importante conhecer a métrica mais crítica em sua atual fase de inovação, você também deve reunir dados sobre outras métricas.
  6. Testes seus pressupostos: outro princípio básico da experimentação é testar seus pressupostos (hipóteses, suposições). Embora seja essencial para reduzir o risco em muitos novos empreendimentos, essa recomendação é ainda mais importante nas inovações que levam a empresa para territórios desconhecidos.
  7. Fracasse com inteligência: O fracasso é inevitável. Podemos definir fracasso como tentar alguma coisa que não funciona. Esse não é o objetivo final da inovação, mas é parte sine quo non do processo de inovação.

Há muito o que se explorar na estratégia da inovação no contexto da transformação digital. O importante é lembrar que você e seu cliente deve ter uma relação de fã. E que resolver os problemas dele é mais importante que seu produto. E resolvê-los de forma criativa vai gerar mais empatia pela sua marca e sua empresa gerando novos negócios e receitas.

Voltaremos a este tema em outros artigos, apresentando ferramentas e métodos para o processo de inovação para cada princípio da inovação.

Na próxima semana, encerraremos esta série sobre transformação digital com a estratégia do valor.

Até a próxima semana.

Bibliografia:

BROWN, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

ROGERS, D.L. Transformação digital: repensando o seu negócio para a era digital. São Paulo: Autêntica Business, 2018.

Prof. Me. Sergio Alexandre de Castro
Professor de Inteligência de Negócios no curso de Gestão da Tecnologia da Informação – FATEC JAHU
Gestor de Tecnologia da Informação – Mariotta Calçados.

Organizador do Podcast Bom dia com Poesia e do site www.bomdiacompoesia.com.br

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